Síndrome do Ressalto do Quadril ou Snapping Hip

Há 3 Causas de Estalos no Quadril

 

A Síndrome do Ressalto do Quadril (SRQ), também conhecida pelos termos técnicos Snapping Hip ou Coxa Saltans, ou até de forma mais popular como “Quadril de Bailarino” (do inglês Ballet Dancer’s Hip), é uma condição caracterizada por uma sensação audível ou palpável de “estalido” ou “clique” na região do quadril durante o movimento.

 

Veja aula completa sobre o tema do Curso Anatomia de Lesões Esportivas abaixo:

Embora o ressalto seja comum e muitas vezes indolor, o termo “síndrome” é aplicado quando esse estalo se torna sintomático

Por Que o Quadril Estala? A Prevalência em Atletas

O fenômeno do ressalto é o resultado de um tendão ou tecido fibroso deslizando sobre uma proeminência óssea.

Como o vídeo demonstra, essa condição é notavelmente comum em populações que realizam movimentos extremos e repetitivos do quadril. Em dançarinas de balé profissional, a prevalência pode chegar a 90%, sendo 80% dos casos bilaterais. Outros grupos de risco incluem:

  • Corredores (Runners).
  • Jogadores de Futebol.
  • Indivíduos que realizam movimentos de flexão e extensão do quadril de forma repetitiva e intensa.

O sintoma geralmente começa a incomodar com o aumento de atividades ou uma mudança repentina na rotina de exercícios.

 

Classificação: Os 3 Tipos de Ressalto do Quadril

 

É fundamental subdividir a SRQ, pois a causa e o tratamento variam conforme a estrutura envolvida:

Tipo de RessaltoLocalização Típica da Dor/EstaloEstrutura EnvolvidaMecanismoVisibilidade/Audibilidade
1. Externo (Lateral)Lado de fora do quadril (região do Grande Trocânter).Trato Iliotibial (Banda Iliotibial)e/ou Músculo Glúteo Máximo.O Trato Iliotibial raspa sobre o Grande Trocânter (proeminência óssea do fêmur).Comumente Visível e Audível.
2. Interno (Anterior)Região da virilha ou parte anterior do quadril.Tendão do Músculo Iliopsoas.O tendão do Iliopsoas (o principal flexor do quadril) ressalta sobre a Eminência Iliopectínea ou a cabeça do fêmur.Tipicamente Não é Visível, mas pode ser Audível.
3. Intra-Articular (Profundo)Dor profunda e difusa dentro da articulação.Estruturas internas (Lábio Acetabular, Cartilagem, Corpos Livres).Lesões como ruptura do lábio acetabular ou presença de fragmentos soltos na articulação.Geralmente apenas sentido como um “clique” ou “travamento”.

Atenção ao Ressalto Interno: Em cerca de 15% da população, o tendão do Iliopsoas pode ter uma variação anatômica, ficando intimamente ligado ou até dentro da cápsula articular. Nesses casos, o ressalto interno pode, eventualmente, levar a uma lesão do lábio acetabular (tornando-se, em parte, também uma patologia intra-articular).

 

Diagnóstico: Como Saber se o Meu Estalo é Preocupante?

 

A principal preocupação do paciente é: “Se o meu quadril estala, preciso me preocupar?”

A resposta é que o diagnóstico da Síndrome do Ressalto do Quadril (ou seja, a condição que causa dor) é eminentemente clínico. Um estalo indolor é geralmente benigno e não exige tratamento.

O médico baseia o diagnóstico em:

  1. História Clínica: Avaliação dos esportes praticados, frequência da dor e identificação do movimento que provoca o ressalto.
  2. Exame Físico: Realização de manobras específicas para reproduzir o estalo (Ex: Palpar o Trocânter maior no momento do ressalto e  Teste de Ober para o ressalto externo; Flexão, Rotação Externa para Extensão/Rotação Interna para o ressalto interno).
  3. Exames de Imagem:
    • Ultrassom Dinâmico: É o exame mais útil para o diagnóstico do ressalto, pois permite visualizar o tendão em movimento, confirmando o atrito.
    • Ressonância Magnética (RM): quando se suspeita de patologia intra-articular (ruptura labral, corpos livres) ou para avaliar a inflamação de partes moles (bursite iliopectínea ou trocantérica).
    • Radiografia (RX): descartar deformidades ósseas associadas, como no Impacto Fêmoro-Acetabular (Tipo CAM).

Tratamento da Síndrome do Ressalto do Quadril

 

O tratamento da SRQ, via de regra, é conservador, focado na redução da inflamação e no reequilíbrio biomecânico.

 

1. Tratamento Conservador (Primeira Linha)

 

Recomendado inicialmente por, pelo menos, 3 a 6 meses:

  • Modificação de Atividade: Reduzir ou ajustar o esporte ou movimento que causa o ressalto.
  • Fisioterapia e Reabilitação: Essencial para reequilibrar a musculatura do quadril.
    • Ressalto Externo: Foco em alongamento do Trato Iliotibial e fortalecimento dos abdutores.
    • Ressalto Interno: Foco em alongamento do tendão do Iliopsoas (exercícios de extensão do quadril) e fortalecimento dos músculos circundantes.
  • Medicamentos: Uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) na fase aguda.

 

2. Infiltrações

Se não houver melhora após a fase inicial de tratamento conservador, pode ser tentada uma injeção de corticosteroide nas bursas inflamadas (trocantérica ou iliopectínea), preferencialmente guiada por ultrassom para maior precisão.

 

3. Tratamento Cirúrgico

A cirurgia é considerada um último estágio, em casos raros e somente após a falha de um tratamento conservador adequado e da infiltração.

  • Ressalto Externo/Interno: Pode ser realizada uma liberação da porção tensa e/ou debridamento (retirada do tecido inflamado)
  • Ressalto Intra-Articular: O tratamento é direcionado à patologia base (ex: sutura do lábio acetabular ou retirada de corpo livre por artroscopia do quadril).

A chave para o sucesso é o diagnóstico preciso da causa do ressalto sintomático. Se você sente dor associada ao estalo no quadril, procure uma avaliação individualizada e um plano terapêutico personalizado.

 


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Sobre o Dr. Daniel Bohn: Médico pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Bicampeão Brasileiro: Olimpíada de Anatomia (Elsevier), 1º Lugar – Olimpíada Nacional de Ortopedia (PUC-Camp). Produzo conteúdos para transmitir o conhecimento que me permitiu conquistar esses títulos.

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