O que é e como acontece a Luxação Acromioclavicular?
Luxação acromioclavicular é uma lesão comum, principalmente em esportes. Ela ocorre na articulação acromioclavicular, uma pequena articulação do ombro.
A seguir, veja um vídeo curto que resume os pontos principais da luxação acromioclavicular.
Entendendo a anatomia da articulação
A articulação acromioclavicular (AC) é uma articulação sinovial do tipo plana, com cerca de 5 graus de rotação, que permite um movimento uniaxal. Sua principal característica é a pouca mobilidade e a alta estabilidade, garantida por um conjunto de ligamentos:
- Ligamentos Acromioclaviculares: Fornecem estabilidade horizontal à articulação. É o primeiro a ser lesionado em caso de trauma.
- Ligamentos Coracoclaviculares: Compostos pelas partes trapezoide e conoide, que, de acordo com a orientação de suas fibras, dão estabilidade vertical.
Curiosamente, estudos já mostraram que até 10% da população pode ter uma variação anatômica nessa região chamada de articulação coracoclavicular, que pode causar dor. A articulação acromioclavicular também possui um disco articular que ajuda a amortecer a região.
O mecanismo da lesão
A luxação acromioclavicular não acontece porque a clavícula “sobe”, mas sim porque o ombro “desce”. A articulação AC faz parte do complexo suspensor superior do ombro, que tem a função de segurar o membro superior. Quando há um trauma, esse complexo perde a sua capacidade de sustentação, e é o ombro que cai, deixando a clavícula em uma posição proeminente.
O mecanismo de trauma mais comum é a queda sobre o ombro. Isso é frequentemente visto em esportes como o ciclismo e em acidentes automobilísticos, quando há um impacto lateral na região do ombro.
Classificação e Diagnóstico
A lesão tem diferentes graus de gravidade, descritos pela classificação de Rockwood. Eles variam do grau 1 ao 6, dependendo da extensão da lesão e dos ligamentos rompidos.
A principal queixa do paciente é a dor na região da articulação. Um dos sinais clínicos mais característicos é o “sinal da tecla de piano”, em que, ao pressionar a clavícula, ela se move para baixo, mas volta a subir imediatamente, pois é o ombro que está deslocado para baixo.
O diagnóstico é feito por meio de exame físico e exames de imagem, como a radiografia. A incidência de Zanca é uma técnica radiológica específica para avaliar essa lesão e comparar o espaço coracoclavicular bilateralmente.
Tratamento e Deformidade
Em geral, o tratamento varia conforme o grau da luxação:
- Grau 1 e 2: O tratamento é majoritariamente conservador, ou seja, sem cirurgia. Inclui imobilização, fisioterapia e proteção na região. Nesses casos, a deformidade estética pode permanecer, mas o ombro geralmente recupera a função.
- Grau 3: Em casos de atletas de alta performance ou trabalhadores que realizam atividades com o braço acima da cabeça, a cirurgia pode ser considerada.
- Grau 4 ao 6: A indicação costuma ser cirúrgica. As técnicas incluem o uso de amarras, parafusos ou fios para estabilizar a articulação.
Uma das principais complicações a longo prazo da luxação é a artrose, ou seja, o desgaste da articulação, que pode gerar dor e disfunções, além da deformidade estética.
Para entender melhor, assista ao vídeo completo abaixo:
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Sobre o Dr. Daniel Bohn: Médico pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Bicampeão Brasileiro: Olimpíada de Anatomia (Elsevier), 1º Lugar – Olimpíada Nacional de Ortopedia (PUC-Camp). Produzo conteúdos para transmitir o conhecimento que me permitiu conquistar esses títulos.
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