Tenossinovite De Quervain

A tenossinovite de De Quervain, também conhecida como tenossinovite estenosante do 1º compartimento extensor, é uma inflamação da bainha sinovial que envolve dois tendões importantes na região do punho e do polegar. Essa condição é causada pela fricção constante e movimentos repetitivos, gerando um ciclo vicioso de inflamação e inchaço que pode limitar o movimento.

A maioria dos casos responde bem ao tratamento conservador, que pode incluir injeções de corticosteroide. No entanto, em algumas situações, pode ser necessária uma cirurgia para a liberação do compartimento.


 

Entendendo a anatomia da lesão

Para entender a tenossinovite de De Quervain, é crucial conhecer a anatomia da região. O problema ocorre no primeiro compartimento do retináculo dos extensores, que é um túnel osteofibroso que abriga o extensor curto do polegar e o abdutor longo do polegar.

  • Extensor Curto do Polegar: Sua inserção fica na base da falange proximal do polegar.
  • Abdutor Longo do Polegar: Sua inserção está na base do primeiro metacarpo (o osso que forma a base do polegar).

Esses dois tendões estão contidos dentro de uma bainha sinovial, cujo líquido sinovial auxilia no deslizamento. Quando essa bainha inflama, o atrito aumenta, causando a dor característica da doença.

Além disso, é importante notar que o limite lateral da tabaqueira anatômica é formado por esses dois tendões. A tabaqueira anatômica é uma depressão superficial na base do polegar, visível com a mão em extensão.


 

Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico da tenossinovite de De Quervain é feito principalmente através do exame físico. A dor e os sinais inflamatórios na região são os principais indicadores.

O teste de Finkelstein é o mais utilizado para confirmar a condição. Ele consiste em fletir o polegar, fechando a mão sobre ele, e, em seguida, fazer um desvio ulnar (para o lado do dedo mínimo) do punho. Se isso causar uma dor aguda na região do primeiro compartimento, o resultado é positivo.

 

Diagnósticos Diferenciais: O que pode ser confundido com a Tenossinovite de De Quervain?

Apesar do teste de Finkelstein ser bastante específico, a dor na região do punho pode ser causada por outras condições. É fundamental fazer um bom diagnóstico diferencial para garantir o tratamento correto. Algumas das patologias que podem ser confundidas incluem:

  • Síndrome da intersecção: Uma inflamação que ocorre no segundo compartimento extensor, bem próximo ao local da tenossinovite de De Quervain.
  • Rizartrose: Osteoartrite na base do polegar. A dor tende a ser mais profunda, no “assoalho” da tabaqueira anatômica, e não na região dos tendões.
  • Síndrome de Wartenberg: Uma condição que afeta o nervo radial superficial, causando sintomas semelhantes à irritação dos tendões.

É importante estar atento a essas diferenças para não tratar a condição errada e causar danos ao paciente. No vídeo completo abaixo, aprofundamos a discussão sobre esses diagnósticos e mostramos como diferenciar cada um deles.

Tratamento conservador

O tratamento conservador é a primeira abordagem e, na maioria das vezes, o suficiente. Ele envolve:

  • Repouso e modificação das atividades: Evitar os movimentos que causam a dor, como aqueles de flexo-extensão do polegar com desvio radial do punho. O uso de órteses pode ser recomendado para imobilizar a área.
  • Anti-inflamatórios: Medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) podem ser usados para ajudar a reduzir a inflamação e a dor.
  • Injeções de corticosteroide: A injeção de corticosteroide diretamente na bainha sinovial é uma das opções mais eficazes. Cerca de metade dos pacientes melhoram após a primeira injeção. Se a dor persistir, uma segunda injeção pode ser tentada. É crucial que a injeção seja feita corretamente para evitar complicações como atrofia da pele ou danos ao tendão.

 

Tratamento cirúrgico

Se o tratamento conservador falhar por mais de seis meses, a cirurgia pode ser uma opção. A liberação cirúrgica consiste em fazer uma incisão para abrir o compartimento e liberar o tecido inflamado. O procedimento é rápido, mas exige cuidado para não lesionar o nervo radial superficial, que passa muito próximo à área.

 

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Sobre o Dr. Daniel Bohn: Médico pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Bicampeão Brasileiro: Olimpíada de Anatomia (Elsevier), 1º Lugar – Olimpíada Nacional de Ortopedia (PUC-Camp). Produzo conteúdos para transmitir o conhecimento que me permitiu conquistar esses títulos.

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