Iniciando na Medicina (Português – Brasil)
O início da minha jornada médica foi marcado por uma reviravolta inesperada – o governo cortou repentinamente o financiamento para estudantes de medicina em universidades particulares. Determinado, estabeleci uma meta ambiciosa para mim: me destacar durante meu primeiro semestre de medicina na Universidade de Caxias do Sul (UCS) e garantir uma vaga cobiçada em uma universidade federal, onde eu poderia cursar medicina gratuitamente, já que não podia pagar por uma instituição particular.
Desde o início, a anatomia me cativou. No entanto, equilibrar o trabalho do curso médico e a preparação para a aceitação na universidade federal significava que o tempo era um recurso escasso. Destemido, apliquei o Princípio de Pareto (80/20) para maximizar meus esforços de estudo e construir uma base sólida em anatomia com tempo limitado. Estabeleci relações estreitas com meus mentores de anatomia e utilizei métodos e materiais de alto rendimento ao longo dos meus estudos. Essa abordagem deu certo, já que não apenas terminei entre os 2 melhores da minha turma, mas também estabeleci amizades duradouras, desfrutei do processo de aprendizagem e, finalmente, fui admitido na Universidade Federal de Pelotas (UFPEL).
Embora tenha demorado quase um ano para receber o chamado da UFPEL, permaneci focado nos meus estudos na UCS. Durante minhas férias de verão de três meses, decidi retribuir ajudando outros alunos a dominar a anatomia de maneira mais eficiente e prazerosa. Juntamente com um colega de classe e querido amigo, coescrevi um resumo/livro abrangente repleto de conteúdo de alto rendimento, mnemônicos e imagens que haviam auxiliado minha jornada de aprendizagem. Essa “primeira edição” ultrapassou 400 páginas e abriu caminho para algo extraordinário.

Quando as aulas recomeçaram, fui aprovado no concurso para monitor de anatomia, especializando-me no sistema musculoesquelético. Compartilhei livremente nosso recurso recém-criado, que rapidamente ganhou popularidade entre a turma do primeiro ano. Mal sabia eu que nosso material eventualmente alcançaria mais de 1.000 estudantes em todo o país. Durante aquele semestre memorável, ensinei anatomia criando aulas interativas e desafios entre grupos envolvendo competição e humor.

Quando chegou a hora de me juntar à UFPEL, me despedi dos colegas de classe da UCS com uma reunião descontraída, mergulhando na fonte principal da universidade com trajes de banho antes de registrar o momento em uma foto em grupo.

Deixei a UCS com uma profunda sensação de realização, tendo formado amizades profundas, deixado um legado duradouro e promovido um ambiente de aprendizado mais agradável. Em meio a tudo isso, também liderei a equipe de futebol da minha turma na conquista do campeonato da universidade como artilheiro.

Na UFPEL, retomei com entusiasmo os estudos de anatomia, optando por cursar novamente e de forma voluntária Anatomia I e II ao longo de um ano. Ao expandir meu conhecimento, continuei apoiando meus colegas oferecendo aulas informais. Meu livro e materiais logo se espalharam por toda a instituição. Em uma aula inicial, ajudei um assistente de ensino com uma lição avançada sobre o nervo radial e a Arcada de Frohse, o que levou a um convite para observar uma cirurgia no hospital. Lá, fui apresentado à ala cirúrgica e até mesmo ajudei o cirurgião vascular como seu primeiro auxiliar em algumas ocasiões. Minha paixão pelo sistema musculoesquelético acabou me levando aos cirurgiões ortopédicos do hospital, com quem continuo a trabalhar até hoje.
Minha chegada à UFPEL em 2017 marcou o início de uma jornada incrível. Em 2019, ao iniciar meu curso de técnica cirúrgica, tive a oportunidade de ingressar na liga acadêmica de ortopedia do hospital, onde fui aceito em segundo lugar (empatado em primeiro em acertos, mas o alunos de semestres mais avançados eram o critério de desempate) . Apenas seis meses depois, fui convidado a me tornar o presidente mais jovem com o menor tempo de liga, graças às premiações que viriam em anatomia. [Clique aqui para Continuar]
